• Lampião a Gás

Ainda tenho em mim, o encantamento de uma criança!



Aprendi a falar ontem, e hoje meu filho já come feijão!


O tempo é uma coisa louca. Ele escorrega pelas mãos! Mas, eu o respeito!


De repente, você olha no espelho, já não tem mais vinte, ja não tem mais trinta.


Suas mãos ja não são tão macias, nem sua barriga mais lisinha!


Acorda pela manhã, com os joelhos doendo e as costas ja não são tão fortes!


E aí, você pensa em todas as histórias lindas que viveu, que te deixaram com essa aparência desgastada. Mas, que tanto valeram a pena!


Não fosse isso, não teria flores em seu peito, amor em seu coração, olhos maduros e experientes.

Dá vontade de voltar à flor da idade com essa mente. Dá vontade de abrir a cabeça dos agora jovens, e colocar dentro o resultado de todas as escolhas que eles farão! Mas, eles não ouvem! Nós não ouvíamos!


A vida é engraçada! Mas, o tempo... Ah, o tempo tem sua sabedoria! Não somos velhos. Também não somos nada jovens.

E você aprende o que é a vida, quando todas as forças que têm, ja não são mais as mesmas!


O universo é um tanto sarrista. Embora ele crie boas mentes. Nós nos tornamos craques em domina-las, quando nossos corpos ja não as acompanham tão bem! Estão aí, a beleza e a ironia de se viver!


Observo como hoje, dez anos passam num piscar de olhos! E eu correndo. Sempre correndo. Querendo tanto! Com tantos planos!


Ainda dou risada como se fosse criança! Ainda fico feliz com um pacote de marshmellows!


Só que hoje, cabe mais felicidade num sofá, com uma boa comida e uma conversa inteligente.


Meu ventre ja não esfria de emoção para ir às baladas! Mas, existem lugares que eu sonho em conhecer. Matérias que desejo aprender! Aventuras que almejo ao lado de quem amo!


Sou uma cigana que teve de criar raízes, pois quem ama padece, faz concessões, faz escolhas, quando o amor é de verdade!


Valeu à pena. Vai valer.


Boas leituras. Um bom café forte! Fazer de meu filho um bom homem. Planejar a vida!

Mesmo que, quase metade ou mais da metade dela tenha passado.


A gente observa! A gente mais observa que fala!

E nossos status não são empolgação em tirar uma selfie com bico, mas a lembrança de quando conversávamos na calçada! A lembrança de quando tocavamos no fundo da garagem! A memória de nossa inocência!


Não tenho medo de quase nada! E ainda a sensação de que há muito a ser feito! Mas, há em mim um único medo presente.


Um medo que desperta quando olho meus cabelos brancos, e meus joelhos doendo: A urgência quase que repleta de pânico, de que não haja tempo suficiente para tudo!"


Por: Anguelikí Vijaya - Em 18/03/2019

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