• Lampião a Gás

Andrea Fernandes, música, seu grande álibi!


A música sempre fez parte dela. Andrea Fernandes canta e encanta na interpretação da voz e das melodias, transitando entre o pop, jazz e MPB. Uma artista brasileira com sangue e vestes da alegria e da simplicidade. Confira agora a entrevista que ela concedeu ao Lampião a Gás!


LAG: Andréa, há quanto tempo você canta e qual foi o ponto de partida para essa empreitada artística?

Andrea: Olá!!! Tudo bem? Estou muito feliz pelo convite! Venho de uma família musical, pai cantor, que deixou de gravar um compacto com sua banda na Argentina, (era assim que se chamava o disco de vinil com apenas 1 a 2 faixas, frente e verso), porque eu nasci e ele preferiu assistir o parto (risos).

O irmão dele, meu tio, baterista, mora na rua detrás e estou ouvindo ele tocar agora, enquanto estou "falando" com vocês, domingo à tarde (risos), aos 70 anos! Rock! Mãe acordeonista formada em conservatório, porém nunca se profissionalizou. Avô violonista autodidata, que resolveu aprender a ler partituras aos 63 anos.

Aos três anos eu já cantava, usando os vidros de perfume da penteadeira da minha mãe, me olhando no espelho. Depois dos dezesseis anos e de cantar na igreja, percebi a necessidade de fazer melhor e fui estudar em conservatório. Primeiro pelo erudito e passando depois para o popular, ou seja, hoje minha assinatura musical sempre tem referências populares com temperos sutilmente líricos. Princípio de tudo!

Estou há muitos anos lecionando técnica vocal e gravando backings, coros e jingles em estúdio.


LAG: Você tem algum cantor ou cantora que lhe serviu de inspiração? Sua interpretação em músicas, independente do Pop, MPB ou Rock são repletas de emoção. O que você poderia nos falar sobre isso?

Andrea: Eu ouvia Vania Bastos, Zizi Possi, com profunda admiração, intérpretes fantásticas e técnicas, mas Jane Duboc com suas composições e interpretações únicas. Naquela voz cristalina, me inspirou a buscar minha própria interpretação, poesia, marca, veia, identidade. (Presente do céu, hoje ela é minha amiga e me segue)

Percebo que isso pode vestir tudo! São coisas que se aprende diariamente, pouco a pouco. Tanto faz se Rock ou Jazz, eles precisam de uma roupa de festa, de algo que as faça dizer o que realmente querem.


LAG: Como você vê o crescimento da arte e do entretenimento nas rádios e na TV (aberta e fechada). E como tem sido sua repercussão nas mídias sociais?

Andrea: Com o advento das plataformas digitais, redes, internet, a arte se internacionalizou intensamente, os discos que sofríamos para localizar na adolescência, estão hoje disponíveis à todos.

Assim foi também com meu CD autoral, “Pra Você!”, ficou fácil você compor em São Paulo e lançar em Londres, por que descobre que de alguma forma, foi compartilhada até chegar em algum produtor de lá, que reconhece seu potencial.

Porém ainda vejo rádios grandes e TV´s, dando prioridade à questão entretenimento, então a música popularesca, que atinge as massas ou quem não pesquisa outras fontes, é onde a grande mídia está, sem se comprometer com a cultura, infelizmente.

A grande saída é sem dúvida é o boca a boca das redes, pessoas famintas pelo novo, pela qualidade e pela verdade, encontram ali sua luz no fim do túnel.


LAG: Você se apresentou muitas vezes no Bar Brahma, muito famoso em São Paulo. Como eram as experiências de se apresentar em um local tão conceituado?

Andrea: Sim! Toquei mais de um ano e meio, todas as quartas-feiras, no Bar Brahma centro, no Boulevard, que é um de seus três palcos. Jazz e música brasileira, em trio, voz, piano e saxofone.

É sem dúvida um dos principais lugares de encontro de turistas, as vezes chegavam em ônibus de turismo, formando filas na calçada.

Falavam em português, inglês, espanhol e sempre deslumbrados pela beleza da música brasileira, assim como a qualidade dos músicos brasileiros, interpretando a música mundial.

Por parte do músico no Brasil, não existem expectativas, ele trabalha pela sobrevivência, do que propriamente pela arte, mas sem dúvida é o que escreve nossa história, meu total respeito e apreço à casa.


LAG: Você sempre interpretou músicas de artistas renomados. Como surgiu a ideia do som autoral? Como foi a experiência de cantar algo que “não existia", se podemos colocar assim?

Andrea: Há muitos anos, escrevi poesias para um site, mas quando este saiu do ar, percebi que não salvei nem escrevi mais. Um dia, mandei um texto meu para um amigo brasileiro que mora em Londres, era meu aniversário, ele me ligou para dizer parabéns em vídeo e tocou!

Preciso dizer que chorei?

Casou a melodia dele com minha letra, pois é, nunca imaginei, em quinze dias mandei outra letra, quando vi, tinha toda uma equipe top acionada para a gravação de um EP com quatro músicas, que hoje está também nas plataformas digitais.

Acredito que seja como se você sempre adorasse crianças, filhos dos outros, mas um dia, nasce o seu!


LAG: Você curtiu a experiência autoral, então, há algum plano futuro para um próximo disco?

Andrea: Entendo que empresários e produtores não dão o devido valor ao autoral, é algo em que o artista tem que se auto produzir, bancar tudo, gravar, lançar e na hora de tocar, tem que tocar 98% de lado A dos outros e uma sua. Mas, caso essa estoure, aí vem muita gente atrás. Bem-vindo ao mundo real.

Agora estou me expondo mais nas redes em vídeos, em breve terei um clipe não autoral, mas primeiro mundo e um single, nas plataformas! Aguardem as cenas dos próximos capítulos (risos)!


LAG: Recentemente você participou de uma homenagem a Vinicius de Moraes e Tom Jobin. Fale um pouco sobre esse projeto?

Andrea: Participei de um vídeo quarentena, devidamente licenciado, convidada por Chiquinho Carvalho, onde vinte e seis artistas do mundo participaram de um vídeo tributo, com a canção de Vinicius de Moraes e Tom Jobim, “Chega de Saudade”, eternizada mundialmente na voz de João Gilberto e lançada no dia do seu aniversário de morte.

Grandes nomes como Lourival da Costa produtor e arranjador, Romero Lubambo, um dos maiores violonistas brasileiros, mais conhecido nos EUA que aqui, Marcia Querubim, Alemanha, Sophie Magnanini, França, Rafael Garcia Peru, Kunikazu Tanaka, Japão, Rossana Saavedra, Chile, entre outros.


Veja o vídeo:


LAG: Existe algum outro projeto em que você tenha participado neste ano tão "diferente"?

Andrea: - Participamos de 2 projetos assistenciais nessa quarentena, um projeto on-line em um lar de idosos. Onde os velhinhos fizeram um pedido musical, uma para cada artista em lousas escritas “canta prá mim”, tocamos “Carinhoso”, Pixinguinha e em outro projeto, para uma associação para crianças especiais, fomos convidados para levar nosso carinho musical e tocamos Toquinho, Aquarela e outros.


LAG: Nesse momento de pandemia, as lives tem tomado todos os espaços. Como é sua rotina em dia de apresentação. Quantos dias na semana você se apresenta?

Andréa: Tenho feito meu Café & Música, todas as quintas-feiras, as 17:30 pelo facebook, por 30 minutos, como já existe uma plástica, um roteiro, temos benfeitores, que são como patrocinadores voluntários, que vemos aumentar bem, semanalmente, as visualizações e seguimos!

Com o intuito de levar conteúdo, música de qualidade e criatividade, chegamos aos lares com um pouco de alegria, companhia e conhecimento, nesse momento tão complicado de pandemia, é perigoso para a mente e alma humanos.

Temos recebido muitos agradecimentos pela doação da arte com amor, isso não tem preço.

Mas minha rotina não é fácil, não imagina a parafernalha que monto na sala para ter um palco sem equipe, houve momentos de que precisarmos usar pregadores de roupa para segurar equipamento e atender o cachorro que latiu. Eles aprenderam a dormir enquanto cantamos e já temos o equipamento adequado (risos). Gastamos muito tempo estudando, pesquisando repertório, criando novos arranjos e atendendo a fãs virtualmente.

E buscando recolocação em casas, em meio a pandemia.

Os vídeos, serenatas presenciais ou online, demoram incrivelmente, para serem projetadas e articuladas, somadas as aulas on-line, essas são as correrias do momento.

Não assisto lives com playback, nem malfeitas sem qualidade de áudio, imagem, figurino, cenário, elas devem ser simples, mas tem que ser de verdade!

Música é coisa séria, delicada, vejo muita gente fazendo sem primor, acho “broxante”.


LAG: Muito obrigado pela entrevista! Agora deixe seu recado para os leitores.

Andrea: Não há competição na arte, ela se completa. Busque o seu melhor, com fé, foco, garra e acima de tudo, com amor que é a essência de Deus.


Serviço:

www.facebook.com/andreafernandescantora/

www.instagram.com/andrea_fernandes7


Por: Claudio Tiberius – Em 03/08/2020

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