• Lampião a Gás

Chaosfear, sem tempo para o medo!


Ao longo do tempo e de nossa vivência dentro da música pesada brasileira, vimos muitas bandas surgirem, assim como presenciamos o fim de um sem número delas. Algumas resolvem voltar e sumir de novo e ainda existem aquelas que quando voltam, é como se nunca houvessem terminado. Isso é o caso da Chaosfear. Banda que voltou as atividades e para recuperar o tempo não perdido, mas usado com maturidade.

Confiram o nosso bate papo com a banda onde abordamos diversos assuntos sobre presente, passado e futuro.

Lampião a Gás: Olá rapazes da banda Chaosfear. Vocês nem tiveram tempo de "respirar" direito e logo após o lançamento do álbum Be The Light In Dark Days, de dois vídeos clipes, o single para o cover The Toxic Waltz do Exodus, com a participação mais que especial de Steve Zetro Souza e a live no Manifesto Bar, onde vocês tocaram na íntegra seu disco, além da participação na Live do Rockfun Fest 2020 com o Krisiun e Shaman. Como aconteceu isso?

Fernando: O ano de 2020 está sendo sensacional para o ChaosFear. Nunca pensamos que conseguiríamos fazer tudo isso em tão pouco tempo. A pandemia nos deixou mais concentrados na banda. Ter tido a oportunidade de fazer dois shows em meio a essa tragédia que estamos passando é uma dádiva.

Eduardo: Nos sentimos honrados em poder participar do Rock Fun Fest e principalmente por dividirmos o palco com bandas tão importantes para o cenário brasileiro e mundial. A pandemia está servindo de laboratório para que as pessoas se reinventem. Eu fico pensando que em 30 minutos tivemos quase 10 mil pessoas vendo nosso show no RFF. Quando isso seria possível, de forma presencial?

Marcos: Apesar desta situação de pandemia, nós conseguimos trabalhar bastante, talvez até mais do que se estivéssemos presencialmente.

Fabio: Nós ganhamos um concurso da Roadie Crew e fomos convidados a abrir o Rock Fun Fest, e tocar com Shaman e Krisiun, além do Made in Brazil e do Oitão, foi muito gratificante.

LAG: E como surgiu a ideia de gravar The Toxic Waltz do Exodus com Steve Zetro Souza?

Fernando: A ideia era gravarmos um EP de covers de bandas que nos influenciaram. O Exodus teve um papel muito importante em nossa vida como músicos. Escolhemos a Toxic Waltz por se tratar de uma música emblemática do Exodus e por ter um significado enorme para todos nós. O Johnny Z, do Metal na Lata e nosso assessor de imprensa frente a JZ Press, fez o meio de campo com o Zetro e tudo deu certo! Aí mudamos nossos planos e resolvemos deixar a ideia do EP para 2021.

Marcos: Tínhamos essa ideia do EP de covers e nosso assessor de imprensa que é muito fã de Exodus sugeriu um som deles. O Fernando gostaria de ter uma participação especial nos vocais e ficamos sonhando que o ideal seria ter o próprio Zetro cantando. E o cara adorou nossa versão!

LAG: O mundo foi atingido por um fenômeno onde alguns combustíveis necessários para a vida útil de uma banda praticamente não existem mais, mesmo que por enquanto. Como vocês fazem para manter essa chama acesa uma vez que nem shows, que é um dos principais meios de divulgação, não estão acontecendo nesse momento?

Fernando: O importante é mostrar que estamos trabalhando e lançando material inédito. Lançamos um CD novo, gravamos vídeo clipes e fizemos 2 shows. E vem mais novidade até o final do ano.

Eduardo: Nós passamos por altos e baixos durante estes anos. Quem acompanha a nossa carreira sabe disso. Com o passar dos anos criamos uma identidade musical e amadurecemos. Tocar ao vivo sempre foi o grande lance da banda. Porém, se não podemos estar nos palcos junto da galera, vamos ter que criar condições da nossa música chegar na casa do Headbanger. Acho que está dando certo.

Fabio: Estamos ativos. Como você mesmo disse lá em cima, lançamos nosso full, vários singles e EPs e a Collab com o Exodus. O melhor caminho é a produção

LAG: Como aconteceu o projeto de gravar com o Steve Zetro, como foi falar e trabalhar com o ele?

Fernando: O Johnny Z foi o responsável por tudo isso acontecer. Ter a voz dele na Toxic Waltz foi um sonho realizado.

Eduardo: Cara! O Zetro cantou na nossa versão da The Toxic Waltz, uma das músicas mais emblemáticas da história do Thrash! Foi surreal. Ainda está sendo incrível!

Fabio: E foi o Johnny Z que intermediou o contato com ele e agilizou o processo. Seremos gratos para sempre. Nós falamos pouco com ele, só por e-mail mesmo.


LAG: Algumas letras de Be The Light In Dark Days foram compostas há alguns anos atrás. Vocês imaginavam que algumas delas seriam tão atuais e necessárias hoje em dia?

Fernando: Na verdade apenas a letra de The Hand That Wrecks the World foi composta anos atrás, em 2010. As demais foram compostas em 2020 conforme as músicas ficavam prontas. Desta vez procurei escrever sobre experiências pessoas, algo mais introspectivo mesmo. Para nossa surpresa letras como Be the light in Dark Days, A New Life Ahead e From no Past mexeram com o íntimo de algumas pessoas. Talvez por ter tocado em assuntos como depressão, angústia, medo, superação e vitória, muitos se sentiram representados.

LAG: Qual foi o maior grande desafio de gravar um disco com cada componente em suas casas? Vocês optaram por lançar um disco completo ao invés de um single. Porque?

Fernando: Não é uma experiência das mais confortáveis, mas conseguimos! Esse tipo de situação exigiu muito do Marco Nunes, que ficou responsável pela produção e mixagem do CD. Foram muitas trocas de arquivos até que chegássemos num consenso final sobre a sonoridade do trabalho.

Eduardo: Olhando para trás eu vejo que todo o esforço e dedicação desse time não foi em vão. Criamos um disco forte, com uma pegada atual, com letras verdadeiras e uma sonoridade cristalina. Você ouve todos os detalhes. O processo de criação do álbum foi árduo, mas hoje a gente vê que valeu a pena. Foi a primeira vez que fizemos tudo dessa forma. Ou seja, tudo em casa. E o Marco foi um cara que coordenou toda a bagunça de forma precisa como produtor musical que é. Fizemos um álbum, b em como poderíamos ter lançado sete singles. Foi a opção do momento. Valeu e está valendo muito a pena.

Marcos: Eu fui um dos membros que lutou pelo álbum completo. Achava que essa formação da banda merecia um registro com começo, meio e fim, que pudesse mostrar todas as novas facetas da banda. Acho que acertamos.

Fabio: O maior desafio foi organizar o método. O Marco quase enlouqueceu. O próximo será mais fácil (risos).

LAG: Fabio, costumo brincar que bom baterista é uma espécie em extinção, você já participou de grandes nomes do Metal nacional. E nos chama muito a atenção, o fato de você abranger elementos de Thrash e Death Metal dentro do som do Chaosfear, sem cair e ficar estagnado aos clichês. Esses elementos se destacam inclusive nas partes mais alternativas do som da banda. Como foram as conversas com as cordas e a cozinha da banda ao longo das composições?

Fabio: Foram muito tranquilas. Quando eu cheguei, as influências que eu trouxe se ajustaram imediatamente ao som que estávamos fazendo.

LAG: Ainda sobre as composições, como foi acrescentar os arranjos e ideias, uma vez que cada um estava em sua própria casa?

Fernando: Os esqueletos das músicas já estavam todos prontos antes de começarmos as gravações. Então foi só questão de cada um colocar sua cara na música. Mais uma vez a tecnologia ajudou bastante a comunicação entre todos na banda.

Eduardo: A forma, a pegada e a vitalidade do ChaosFear não mudou. Ela esteve presente nessa nova fase da banda. Mas uma coisa fez com que pudéssemos seguir melhor dessa vez, a batera. O trabalho de batera que o Fábio desenvolveu deu um novo direcionamento para algumas músicas e isso enriqueceu o nosso som. Trabalhar em casa também foi interessante, mas, você precisa ser muito organizado para não deixar a coisa rolar solta. No meu caso, eu deixei os solos para depois da prorrogação (risos)! Me senti correndo contra o tempo, mas deu tudo certo no final!

Marco: Foi interessante, pois cada um tinha um tipo de sentimento a respeito de determinada parte e me mandava uma gravação com essa visão. O mais difícil foi organizar todas as informações para que todos tivessem suas ideias utilizadas de alguma forma.


LAG: Sobre a produção, mixagem e masterização. Tratando-se de um disco de Thrash Metal, quais os cuidados para que o som saísse limpo sem perder o peso e o dinamismo das composições?

Marco: Na verdade, o principal cuidado neste nosso tipo de som que fazemos é relacionado a performance dos músicos. Nossa sorte é que temos o melhor das situações aqui. Músicos talentosos e experientes e um estúdio à disposição para gravarmos. O material bruto é muito bom, desde o começo. Isso libera o esforço para focar na parte artística da mixagem. Lógico que no começo, até acertarmos um método de trabalho, as coisas foram um pouco mais complexas, mas uma vez acertado, o CD começou a andar de maneira satisfatória.

LAG: Quais as expectativas e planos da banda para os próximos trabalhos?

Fernando: Ainda teremos novidades em 2020. Para 2021 lançaremos mais material inédito. E ficamos na torcida para que essa pandemia passe o mais rápido possível, para tocarmos com público! E não vemos a hora disso acontecer.

Eduardo: Eu acho que ainda teremos mais alguns Fests no formato on-line. Até porque, é o que temos para agora. A médio prazo vamos fazer um novo disco em 2021. Até lá, temos que manter a banda na ativa, seja em collabs, entrevistas, lives, enfim, o que estiver à mão. E vamos torcer para que em 2021 possamos nos encontrar nos palcos da vida!!!

Fabio: Ano que vem tem mais um disco do Chaosfear. Isso é certo.

LAG: Muito obrigado pela entrevista, agora, deixem uma palavra para nossos leitores.

Fernando: Obrigado a vocês pela oportunidade! Valeu mesmo! E também agradecemos a todos que sempre nos apoiam e torcem pela banda. Estamos desde 1999 lutando pelo nosso sonho. Sem o apoio de vocês tudo isso não seria possível não teria sentido. Obrigado!

Eduardo: O ChaosFear é muito grato aos seus fãs e amigos!

Informações:

www.facebook.com/chaosfear

www.instagram.com/chaosfearband

chaosfearband@gmail.com

Por Claudio Tiberius

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