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Entre a Cultura do Cancelamento e o Contigo Metal - Mais porcarias...


O termo “cultura do cancelamento” anda em voga nos últimos meses. Resumindo: seria a atitude de clamar às pessoas, por meio das redes sociais, contra um fato ocorrido de responsabilidade de uma empresa, ou mesmo celebridade. E isso acaba gerando, por efeito cascata, com que a pessoa que começou tudo fique com a imagem desgastada, e pode acarretar em perda de serviços e mesmo contratos. Os casos andam por aí, a internet está cheia deles, logo, é desnecessário falar em exemplos.


Óbvio que isso acabou virando uma “cultura” um tanto quanto chata. E muitas vezes, causa mais problemas do que realmente ajuda. Sim, esse tipo de coisa não está ajudando em nada, mas tornando uma situação já grave ainda pior. O Metal, então, anda pagando um preço alto.


Exemplo bem atual: o número de pessoas que hoje ataca bandas como o Burzum pelo idealismo de Varg é enorme. Por outro lado, existem pessoas que não estão nem aí para isso e só querem curtir sua música em paz. No caso específico do Burzum, o cancelamento não adianta: grupo pouco conhecido, não faz shows e cujo material vende bem. Vende porque o grupo deixou uma marca indelével no Black Metal, a ponto de ser evidente aos ouvidos treinados em tudo que se ouve do gênero dos primeiros anos da década de 90 para cá. Por isso, vem sendo prensado vez por outra. E lembrando que hoje em dia não se ganha muita coisa sem shows e sem venda de merchandising, quanto mais se tentar cancelá-lo, mais vai fazer o oposto: divulgar a banda, sem conseguir anulá-la. Aliás, graças à polarização política atual, está mais fácil surgirem novos fãs da banda, pois ninguém aguenta mais certas coisas. Varg é um idiota, mas tanto quanto ele é quem fica de “cancelamentos”.


Ainda tem aqueles que se tentar cancelar, vai passar vergonha. Digamos que ocorra algo assim com o todo-poderoso Iron Maiden (na realidade, já aconteceu, só que muita gente parece ignorar). Acho que vai ter adeptos da cultura do cancelamento surtando com a cabeça dando bugs infinitos, pois se conheço bem o fanatismo pela banda e o ideológico, vai ser um “loop” infinito e sem saída.


Aliás, é uma ótima hora para um questionamento: se você não gosta da banda, por que quer ficar falando nela ao invés do que daquilo que gosta? Mania da tia fofoqueira do muro se se vê nas novelas? Ou estão tão fissurados no BBB que insistem nessa cultura burra do Contigo Metal?


Definição: Contigo Metal = tudo aquilo que é desnecessário ao fã saber, mas que todo mundo mais presta atenção que à música.


O que quero dizer: se você discorda de um músico ou banda por ele não ter a mesma linha de pensamento sua, você precisa amadurecer. O que quero dizer: nenhum músico tem obrigação de ser um “outdoor” do que você ou outra pessoa qualquer pensa. E tem vezes que mais aparenta ser a necessidade que você precise de um porta-voz. Já fiz um artigo sobre isso para uma revista, e torno a perguntar: você realmente precisa disso? Não sustenta sua opinião sem apoio de outras pessoas? Sabia que isso é ser um tipo de gado?


Sim, é ser gado, pois verdade seja dita: 90% do que vejo na internet sobre Metal é justamente baseado em “cancelamentos” e “Contigo Metal”. Dificilmente vejo uma notícia relevante, como apresentações de grupos em certas cidades, ou mesmo sobre lançamento de discos delas. É sempre aquilo: o público de Metal quer saber mais de notícias estilo “Lemmy-foi-cremado-com-uma-cueca-de-caveiras” do que algo como “deve ser lançado em alguns dias um CD tributo ao Motörhead”. Aliás, me perdoem quem visualiza e compartilha esse tipo de lixo: está alimentando uma indústria nada nobre. Por isso, torno a dizer, como já disse tantas vezes: entre o banger de hoje e o fã de sertanejo universitário, não há diferenças tão grandes, já que ambos amam fofocas e BBB. Óbvio que não são todos os fãs, mas essa turma cresce como uma bactéria mortal em ambientes propícios.


E isso é comportamento de gado isso. Sim, gado, pois a pessoa é tocada para um lado e outro, seguindo mansamente conforme é conduzido pro quem ganham com isso. É preciso parar e pensar nisso, não aceitar sem algum questionamento.


O que deveria acontecer: se importe com a música do grupo, se gosta dela ou não. Se sim, divulgue e compartilhe; se não, ignore. Quanto mais se ignora, mais uma banda/músico perde, e começa-se da demolir a indústria de “views” e “likes”. E isso sim seria um cancelamento inteligente e útil. Todos os outros são masturbações intelectuais de mentes vazias. Todo protestinho em formato textão de internet tem o efeito contrário: divulga aquilo que você diz cancelar. Aliás, quem compartilha memes é bem mais útil que quem gosta de “Contigo Metal”; pelo menos, nos faz rir um pouco.


Agora, é com vocês. Se vocês entenderam a mensagem, ótimo, mãos à obra; se não entenderam e/ou não querem fazer a coisa certa, FODAM-SE!


Por: Marcos Garcia

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