• Lampião a Gás

Judá, um ser pensante e analítico!


Muitos artistas fazem mais de uma coisa só, ao mesmo tempo. Mesmo que apenas duas! E há artistas que conseguem transportar através de sua arte não só uma informação, mas um desafio para pensar na proposta artística apresentada. Tivemos uma conversa com Judá, baixista da banda Pense e desenhista que desafia a reflexão e a percepção em sua página Bola e Triângulo. Confira a seguir.


Lampião a Gás: Fala Judá, beleza meu? Primeiramente, se apresente aos nossos leitores e nos fale sobre sua iniciação na música e como você ingressou na banda Pense?

Judá: Me chamo Judá, tenho 32 anos, sou paranaense e atualmente moro em Belo Horizonte. Comecei na música muito criancinha, sempre escutando música com meus pais! A música faz parte e tem uma importância muito grande na minha infância. Aos onze anos meu pai me presentou com um baixo, e foi meu primeiro contato de verdade com algum instrumento. Aos dezessete eu, Lucas e Marcius montamos o Pense.


LAG: A banda Pense se tornou um dos principais nomes da música pesada e alternativa no Brasil. Como foi a criação e, posteriormente a aceitação da banda pelo público e também no circuito de grandes shows e festivais?

Judá: O Pense foi formado em 2007, como toda banda de adolescentes, sem muitas pretensões a não ser fazer um som com os amigos. De 2007 até 2011 só tínhamos dois singles e pouquíssimos shows, em abril de 2011 lançamos nosso primeiro CD (Espelho da Alma) que abriu algumas portas, como por exemplo ser headliner de alguns shows e sair de Belo horizonte para fazer shows. Em 2014 lançamos o segundo CD (Além Daquilo que te Cega) que foi o trabalho que nos fez enfiar as caras e querer tocar o máximo de shows possíveis, foi a nossa primeira turnê pelo país, e devido a esse CD o público da banda triplicou e muitas coisas começaram a acontecer, como fazer tour pelo Brasil todos os anos.

Em 2018 lançamos Realidade, Vida e Fé, que foi um trabalho que nos firmou como uma banda conhecida no Underground e tivemos aceitação muito boa e positiva do público. Esse foi o que nos proporcionou uma turnê fora do Brasil, festivais maiores e trabalhos mais profissionais.


LAG: Você destacaria algum lugar específico, em nosso país, onde o público seja mais participativo e mais insano diante das apresentações do Pense?!

Judá: O Norte e o Nordeste têm um público muito intenso e vibrante, é inevitável citar essa região, mas São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Curitiba também são públicos extremamente participativos e insanos.


LAG: Vocês fizeram um tour pelo país e logo em seguida partiram para o velho continente, como foi a experiência do outro lado do oceano e quais são as diferenças dos públicos aqui e lá?

Judá: Estávamos encerrando a tour do Realidade, Vida e Fé e para fechar com chave de ouro conseguimos essa turnê na Europa, passamos por países como Alemanha, Hungria, Eslovênia, República Checa, Austria. Foi uma experiência incrível, passamos 17 dias viajando, fizemos 14 shows, e tocamos no Punk Rock Holiday que é um baita festival de Punk/Hardcore reconhecido mundialmente, uma honra estar lá representando o Brasil.

Os shows foram legais, dentro do que a gente esperava, a maioria com público bem pequeno, porém com as casas de shows legais, com estrutura boa de som, de rango. A recepção dos gringos foi muito boa, gostavam do nosso som.


LAG: Como surgiu a ideia de Bola e triângulo e como tem sido a reação do público a isso?

Judá: O Bola e Triângulo é um perfil onde exponho meus desenhos, minhas neuras, pensamentos, tudo através de desenhos e frases, o nome "bola e triângulo" não tem significado algum, foi apenas um nome que quis usar para algo que eu não saberia como chamar. Desenho desde criança também, em casa tinha meu pai que desenhava e me influenciou totalmente. Com os anos fui descobrindo o que eu gostava de desenhar e como eu gostava de desenhar. Hoje faço quadros, pôsteres e os vendo e ainda participo de collabs.


LAG: Seus desenhos têm traços fortes, são cômicos e nada convencionais. Mas trazem um apelo muito reflexivo. O que te motiva na criação dos personagens que são apresentados nas suas redes sociais?

Judá: Eu gosto de ter o desenho como passa tempo, não tenho uma rotina e nem uma cobrança neles, justamente porque sou intenso e muito verdadeiro no que desenho, o que sai nas folhas e telas é muito o que estava dentro de mim, muito das minhas dúvidas, raivas, decepções, alegrias e tudo o que eu estou vivendo naquele momento. Acho que a maior motivação é a minha vida mesmo, mais precisamente, o que se passa na minha mente diante do "estar vivo".


LAG: Vivemos uma verdadeira invasão artística com o advento de tecnologias mais populares e muitas opções de aplicativos que transformam tudo em arte e desenho. Seus trabalhos transitam entre o lápis e Apps ou você os desenvolve de forma orgânica?

Judá: Por enquanto desenvolvo de maneira totalmente orgânica, muito pelo motivo de gostar de fazer ali no momento com as canetas e deixar fluir, e muito por não ter as ferramentas mais caras para desenvolver desenhos digitais, mas por sinal gostaria muito de entrar nesse universo digital. O que eu faço é desenhar e tirar foto dos desenhos e em alguns editar nesses aplicativos de fotos.


LAG: Como tem sido para você e sua banda, desenvolver os trabalhos, neste tempo de pandemia?

Judá: Para mim tem sido uma montanha russa, tem momentos que me sinto muito empolgado e disposto a fazer, mas também acontece também de estar desanimado e querendo umas férias de ter que criar e produzir.

Para a banda tem sido bem complicado, nosso principal produto são os shows, e estamos sem poder faze-los e não temos nem ideia de quando isso possa voltar a acontecer. Estávamos em processo de criação de um CD novo antes da pandemia, porém a mesma trouxe um ar de desânimo e de incertezas, e acabou frenando a criação das músicas, mas entendemos que era melhor deixar esse plano para um momento melhor, mais positivo e esperançoso para criar algo.

Mas estamos vivos, trabalhando em um CD acústico, sem pressa, sem cobrança, qualquer hora pode sair.


LAG: O espaço agora é seus para suas considerações finais e para deixar um recado aos nossos leitores.

Judá: Muito obrigado pela oportunidade e pelo espaço pra falar um pouco de mim, do que faço, como vivo. Espero que essa fase ruim passe logo, que além do estrago ela traga também reflexões, mudança e principalmente empatia entre nós.

Grande abraço, e até.



Serviços:

www.instagram.com/judaverde

www.instagram.com/bolaetriangulo

www.penseoficial.com.br

www.pensemerch.com

(NE: No site do Pense é possível fazer download gratuito de todos os CDs da banda.)


Por: Claudio Tiberius

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