• Lampião a Gás

Música, o tempero de nossas vidas! Mas é só isso mesmo?


"A música é o vínculo que une a vida do espírito à vida dos sentidos.

A melodia é a vida sensível da poesia."

Ludwig van Beethoven


É difícil saber em que momento da nossa história juntamos essa gama infindável de tons, acordes e melodias, mas bem sabemos que essa expressão cresceu e engrandeceu de forma irreversível as nossas vidas.


Sim! Estamos falando da música!


Contemporaneamente falando, é muito difícil olhar o nosso dia a dia e não ver que a música permeia por todos cantos, seja no comércio, na academia ou caminhando pelas ruas, em todos os momentos a gente dá de cara com a música! Seja ela qual for, seja ela do seu gosto ou não.


Sem percebermos ela se tornou uma das maiores formas de expressão da humanidade, através dela passamos a entender outras culturas e a modo como ela se encaixa neste mundo, compreendemos que este universo diminuto composto de apenas sete notas, pode ser vasto e infinito na sua simplicidade, e é engraçado notar que se olharmos apenas para o nosso gosto pessoal teremos uma enormidade de discos e faixas individuais que mantemos em nossas lembranças, e isso não para aí, ao longo da vida vamos absorvendo mais e mais e sendo cruelmente franco, partimos deste mundo para onde quer que seja, e a música continuará ai acontecendo uma nota por vez. Então, nos resta apenas partir e torcer para que tenhamos música em algum lugar além daqui!


É intrigante compreender o que acontece em nosso cérebro quando ouvimos uma música qualquer e mais ainda, entender o que acontece de maneira individual em cada um de nós e que acaba moldando nossos gostos e preferências!


Mas, em que momento acontece a mágica, onde cada ser humano entende um emaranhado de vibrações e imediatamente reagimos a ele?


Nossa reação a música é tão intrínseca em nossa natureza que é comum vermos pessoas com dificuldades de fala cantarem perfeitamente ou com dificuldade de movimento, reagirem imediatamente e dentro de suas limitações, saírem dançando ou pelo menos fazendo movimentos no ritmo, mesmo que sentados em suas cadeiras ou deitados em suas camas.


É comum também, ouvirmos falar que música clássica acalma e estimula a inteligência dos bebês,e eu como um apreciador deste tipo de música, certamente diria que é o bom gosto pelo estilo, mesmo que o bebê, ainda não saiba exatamente muita coisa sobre o mundo a sua volta.


Então, o que será que acontece em nossos corpos e por que a resposta a esse estímulo é tão significativa em toda nossa vida?


A música estimula partes do cérebro que também são responsáveis pelas atividades prazerosas como sexo, comida, afeto, e porque não dizer, o uso de droga lícitas, logo está diretamente ligada ao nosso bem-estar! É isso causa a liberação de dopamina que proporciona a sensação de bem-estar, prazer e motivação. Portanto a sensação de ouvir nossas músicas preferidas causa uma onda de excitação emocional, atingindo nossa frequência cardíaca, respiratória e muitas outras.


Na questão dos gostos pessoais, é sempre bom lembrar que crescemos ouvindo diversos tipos de músicas, seja através de nossos pais, parentes e amigos, assim nossos neurônios criam conexões que são reativadas sempre que ouvimos algo que nos remeta ao passado, e isso faz com que resgatemos nossas lembranças no intuito de trazer de volta aquela sensação de bem-estar.


Ainda que a música seja uma atividade entendida em sua plenitude apenas pelos seres humanos, e comum vermos nossos animais de estimação reagirem a ela de alguma forma. É bem óbvio que tentamos com isso humanizar nossos queridos companheiros, mas a amplitude cerebral que a música exige dos nossos sentidos não permite a eles o entendimento sentimental disso, então, reagem muito mais as batidas, tons e semitons do que a música em si, mas não podemos deixar de dizer que na questão do sincronismo e sagacidade, os pequenos dão um verdadeiro baile em todos nós!


Alguns seres humanos com raríssimos problemas cerebrais, leves ou não, mas que atingem áreas sensíveis ao estímulo musical, não entendem a música como nós, para eles é como o som uma TV ligada sem imagem, o que chamamos de white noise, ou então uma confusão generalizada de ruídos desconexos que causam desconforto e levam a irritabilidade.


Música é o ar em movimento, onde nosso cérebro, através de nosso sistema auditivo transforma essa onda em sons e a sua repetição, que chamamos de ritmo, os transforma em música. Mesmo que nosso sistema auditivo seja parecido com o de outras espécies animais, é no nosso cérebro que a mágica acontece, uma vez que ele cria um padrão rítmico que precisamos e usamos para anda,r e a partir daí somos imbatíveis em criar ritmos, mesmo que seja em um boteco qualquer com uma caixa de fósforos nas mãos.


E mais incrível, a nossa capacidade de entender não apenas o ritmo, mas as batidas e o tempo musical, como nas batidas do nosso coração. Basta uma sequência de múltiplos tons e nosso cérebro entra em ação novamente, nos dando entendimento de outro aspecto da música. A harmonia.


Nós humanos somos os únicos seres no planeta com capacidade de diferenciar até os menores timbres de uma mesma sequência, logo nosso cérebro nos torna capazes de montar esse intrincado quebra-cabeças, de sons, batidas, harmonias e ritmos e a partir daí entra outro sentimento inerentemente humano, a emoção!


E esta sim, é a nossa grande sacada com a música, com ela e através do estudo dela, aprendemos as combinações que podem mudar o nosso humor em segundos, para o bem e porque não dizer, para o mal também!


Uma associação que aprendemos a usar muito e é bem recorrente nos grandes compositores clássicos é o uso escalas maiores para representar felicidade e tristeza nas escalas menores, mas esse tipo de artifício não é recorrente em todo o mundo, já que constantemente o que ouvimos muitas vezes é associado a situações particulares, então tristeza e alegria são somente o nosso entendimento particular, ou cultural das escalas maiores e menores. Mas é fato consumado que o uso de escalas menores ou que transitam de cima para baixo nessa escala é uma forma muito comum para associar composições ao lamento e o uso de transito ascendente em escalas maiores, serve para representar euforia e felicidade.


Acredito que eu poderia escrever páginas e mais páginas sobre este assunto, já que ele é bem rico e vasto em sites de pesquisa, musicais, culturais e até mesmo em sites médicos e nesse último podemos aprender muito sobre fisiologia da música e entender sobre como ela age no cérebro e no corpo. Mas eu prefiro apenas colocar a discussão aqui e deixar que cada um, dentro do seu interesse, busque o que mais lhe atrai dentro desse universo fantástico que é a música. Mas eu te digo, se você busca um superpoder para sua vida, tente a música, certamente ela te levará a lugares que você nunca imaginou!


Por: JP Carvalho

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