• Lampião a Gás

Mudanças!


Andava com o coração apertado, aquela sensação de estômago pesado, e isso por dias a fio. Culpando as mazelas e problemas da minha vida, culpando também a alimentação baseada na pressa do meu dia a dia, temperada com os impasses que se acumulam sentados um a um nos meus ombros. Cada final de semana é um breve alívio da minhas obrigações, dos compromissos que só quem trabalha com o varejo sabe como é. Mas, mesmo assim, nos dias de folga, continuei a ter aquela sensação de mal-estar, sem ter realmente um.


Há algum tempo, percebi que a minha visão da vida e das coisas de todo dia eram diretamente responsáveis por muitos desses desconfortos. Parei, avaliei e resolvi testar uma mudança de perspectiva: passei a não me incomodar com os pequenos percalços, como perder um ônibus, ter que caminhar longas distâncias - por não ter outra opção ao alcance do meu bolso - para ir de um ponto ao outro, passei a não ouvir as lamúrias que mais se parecem com praguejamentos sem motivo. Parei de praguejar também, parei de proclamar que a vida estava ruim e, se por descuido dissesse, acrescentava um: mas eu passo por cima dessa também, depois da sentença proferida.


Logo aprendi que um sorriso abre mais as portas que me interessam do que as maçanetas, ficou claro diante dos meus olhos que a minha educação para com meu semelhante me trazia educação e cortesia de volta e, logo, mais sorrisos. E olha, não tem sensação melhor no mundo que ser recebido com um sorriso.


Mas eu confesso pra vocês que não foi um exercício fácil e de resultados rápidos, tive que aprender a me calar diante da acusação, silenciar perante o barulho ensurdecedor do mundo e aprender a amar, apesar e acima de qualquer coisa. Passei uma vida toda atirando de volta as pedras que a vida jogou em mim, respondendo de bate e pronto pra qualquer um que me interpelasse ou viesse de encontro ao que penso.


Aprendi que a bondade, a cortesia e a educação são pequenos fardos que se tornam leves pelo seu uso constante, que, cada vez eu enxergo meu semelhante, enxergo a mim mesmo, aprendi que o respeito pelas coisas comuns a todos é muito mais o exercício do respeito por mim mesmo e muito pouco tem a ver com o restante do mundo. É o ver crescer dentro si, sentir a liberdade de não pregar ódio, não guardar raiva e não replicar ofensas gratuitas ao mundo em que vivemos.


Aliás, mundo esse que nos ensina, todas as horas do dia, que devemos nos reinventar e buscar a paz dentro de nós mesmos, antes de propagar aos outros. Aprendi que, ao me sentar à mesa para o jantar, eu posso fazer minhas refeições e elevar meus pensamentos em intenção de pessoas queridas e que isso tem a mesma força de uma oração, afinal, devo elevar a bondade contida em mim nos meus momentos de paz e praticá-la nas adversidades.


Na minha prática diária de me tornar melhor, percebi que minha atitude perante as vidas desse mundo mudam quem eu sou de forma irreversível, mas que também promovem mudanças no mundo à minha volta.


Por: JP Carvalho - Em 18/03/2019

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