• Lampião a Gás

o mundo de infinitas possibilidades...


A forma mais eficiente de se destruir uma sociedade é destruir a capacidade de julgamento, senso crítico dos indivíduos e sua percepção da realidade. A sucessão de fatos absurdos que presenciamos diariamente e que causam (ou não) comoção soam como algum tipo de insensibilização que está a nos levar ao comportamento de gado. E sabemos o destino do gado...


Um progressivo embotamento frente ao que é grotesco, infame, vulgar e inútil. Parece que estamos sendo aniquilados obedecendo docilmente às imposições da ordem vigente. Ordem esta construída como realidade paralela, propositalmente para cegar os olhos e embotar a mente, incitando a humanidade incessantemente a buscar um mundo “melhor e mais justo”. Quem ousar enxergar o absurdo por trás disso primeiramente sentirá que está a enlouquecer.


Os velhos modelos de ditadura e ditadores autoritários e violentos já não funcionam mais, pois não se pode usar de força por tempo indeterminado. O novo modelo de ditadura apenas mudou sua fachada, mas continua mais vivo do que nunca no seu exercício de impedir as liberdades individuais. E teve tanto sucesso em sua implantação porque: os indivíduos se julgam mais livres do que nunca, apesar de viverem como escravos sem perceberem isso; seu planejamento foi tão elaborado que nem mesmo conhecedores da natureza humana se apercebem de sua sordidez. Esta ditadura é extremamente eficaz na escravidão que suscita porque tem sua raiz no que é mais simples e básico: o medo primordial da humanidade; o medo de exclusão, de abandono e marginalidade, solidão e morte, somado a um objetivo final inatingível. O medo de não ter nada e não pertencer a lugar nenhum, de não ser ninguém. E esse medo some quando me sinto acolhida em um mundo melhor e mais justo, no qual todos têm infinitos direitos e são iguais.


Quando me identifico como pertencente a um grupo, odeio outro e automaticamente me sinto alguém reconhecido e acolhido pelos meus pares; a briga contra o outro torna-se a razão para viver. Enquanto pertenço a um grupo de “minoria” me sinto protegido e amparado pelo Estado. O Estado me oferece direitos sem fim para que eu me sinta “incluído” e não me cobra nenhum dever. Não parece fantástico? Mas o preço disso é a escravidão eterna, é a morte de quem somos de verdade, que é aquela porção de nós que consegue enxergar a realidade; presente em todos nós, mas passível de ser totalmente aniquilada. Enquanto encantados a viver a realidade paralela que nos é imposta goela abaixo, tomamos o caminho errado, que escraviza e separa, ao mesmo tempo que vende a imagem de liberdade, igualdade e unidade (a maior cenoura de burro jamais inventada). Enquanto isso, a Realidade grita: somos diferentes (IN-DI-VÍ-DU-OS) e se não o fôssemos, que tédio de mundo seria esse?? Na verdade, por isso mesmo o mundo está virando um tédio.


Divididos, iludidos e aniquilados, presas fáceis para o controle absoluto de nossas vidas nas mãos de sei lá quem. E o preço dessa negação da realidade está se tornando impossível de ser pago; se não se abrirem os olhos de ver, para ver mais no mesmo, o mundo de infinitas possibilidades...


Por: Nara Ricelli - Em 17/03/2019

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