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Religião e estupro


A história nos mostra que as religiões - ou o combate a elas - sempre foram palco de perversidades sexuais, em quase sua totalidade, infringidas por seus líderes ou pessoas em posição de destaque dentro de cada uma delas.


Casos muito recentes dentro da igreja católica, além de deixarem toda a sociedade indignada, mostram que os abusos ocorrem numa tentativa de subjugar os mais fracos e indefesos, muitas vezes, valendo-se do argumento de que essa é a vontade do ser superior de suas adorações. Com isso, fazem uso do seu status e da confiança que é, irrefletidamente, depositada em seu líder espiritual.


Se olharmos a fundo o período da Santa Inquisição, liderada por Tomás de Torquemada, conhecido por ser o Grande Inquisidor, já que foi o inquisidor-geral de origem Sefardita dos reinos de Castela e Aragão no século XV e confessor da rainha Isabel - a Católica, relatos nos registros dos tribunais inquisidores mostram que o estupro, muitas vezes coletivo, era uma das formas de extrair a confissão de mulheres que eram acusadas de bruxaria.


Além disso, a Wicca, pertencente ao paganismo e baseada na celebração da vida, da natureza e das formas sobrenaturais, que assumem a forma de magia, obedecendo a princípios e mandamentos pertencentes à religião e muito similar à totalidade das religiões do mundo.


Percebemos que a liberdade de expressão era um fato muito comum aos praticantes da “bruxaria”, logo podemos afirmar que o ponto inicial para que a prática fosse combatida era o fato de simplesmente não haver controle sobre seus adeptos. Além disso, é nítida a investida sobre as mulheres por serem, supostamente, mais frágeis. Mas isso abre um questionamento: não seriam essas mulheres - objetos de desejo de seus algozes -, que diante da sua “santa posição” e representatividade para com a sociedade, impedia-os de ter um relacionamento, mesmo que pueril, com algumas delas?


É bem possível vermos essa mesma atitude nos dias de hoje, pastores neopentecostais - que se valem da sua autoproclamada proximidade com Deus - assediarem suas obreiras, padres terem desejos homossexuais com seus coroinhas, pais de santo que, incorporados por suas entidades, fazerem uso de ritos carnais como forma de culto em suas giras. Bem como o mais recente caso de João de Deus que, ao longo dos anos, estuprou muitas das mulheres que iam ao seu encontro buscando paz e soluções para suas vidas e encontravam exatamente o contrário.


Acredito que questões psicológicas são a base dessas práticas muito pouco religiosas e que, em muitos casos, a observação e resguardo de cada um deva ser feito de forma coletiva, evitando estar completamente desacompanhado. Sei que muitas questões religiosas e da vida são particulares, mas deve existir alguma pessoa de sua extrema confiança que esteja por perto para evitar que algo saia do controle.


Mesmo a confiança em nossos representantes religiosos deve ser adquirida com o tempo e não aceita cegamente sobre o julgo e pretexto da bondade do que se crê. Ainda somos representados por humanos iguais a nós e o tempo nos mostra que os perturbados e mal intencionados primeiramente conquistam a nossa confiança para depois exporem suas verdadeiras intenções.


Por: JP Carvalho - Em 04/04/2019

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