• Lampião a Gás

Samantha Feehily, nada estressada!


Eu acredito que boa parte das pessoas que vão ler esta entrevista já estão muito acostumadas com o jeito de ser de Samantha Feehily. Assustadoramente sincera e defensora da igualdade entre as pessoas e dos direitos e deveres da mulher, Samantha é sucesso entre seus seguidores nas redes sociais e foi por isso que partimos para esse bate papo descontraído e cheio de verdades. Doa a quem doer...


Lampião a Gás: Olá Samantha, primeiro gostaria de dizer que é um prazer ter você aqui conosco! Para começar fale-nos sobre você e sobre suas empreitadas nas redes sociais.


Samantha Feehily: Eu quem agradeço... fico feliz em poder compartilhar toda loucura que é a minha vida com gente mais louca que eu (risos)!


LAG: É interessante notar o crescimento do Programa Estressadas, fale-nos sobre o conceito a criação e a aceitação das pessoas em relação ao programa.


Samantha: Foi tudo muito louco. Comecei com o Estressadas há quase 10 anos, no auge dos blogs, com posts diários sobre dilemas femininos, humor, reflexões sobre as atitudes dos homens, ganhamos uma visibilidade e atingimos mais de 1.000.000 de acessos. Sim um milhão de acessos. Foi surreal!

Os posts ficaram cada vez mais característicos e eu comecei a querer modernizar e inserir vídeos e áudios. Na época eu era mais tímida, e optei pelo podcast, na época, chamava de rádio, mas já estávamos usando a plataforma do YouTube, assim ficamos por mais um tempo, até que eu criei coragem e comecei a gravar vídeos.

Em todos esses anos eu tive muita sorte, pois além da ajuda dos meus amigos, eles compraram a minha ideia e durante 3 anos dividi a tela com o Robinho, mas por trás das lentes sempre tive ajuda de amigas que faziam as almofadas, o cenário... eu, de fato, sou muito privilegiada. Depois dividi a tela com a Rachel e aí atingimos quase 100 mil inscritos. Tivemos um boom de views e ganhamos boas seguidoras. Nesse momento, acabamos descobrindo e afinando nosso público de vez. Ganhei fã clube, presentes. Foi incrível!

Após mais 2 anos, assumi sozinha o meu sonho e estou vivendo dele desde então. Sou apresentadora, roteirista e muitas vezes editora. Mas ainda assim, tenho um time por trás que me ajuda sempre que eu piro em alguma ideia nova. Esse ano batemos 250 mil inscritos e cada dia mais estreito meu elo com as meninas. É legal demais fazer a diferença na vida das pessoas.


LAG: Seu público é majoritariamente feminino, mas nos seus programas gravados e principalmente nas suas lives sempre tem a presença de muito homens (NE: alguns sem a mínima noção de nada, diga-se). Será que o público masculino está descobrindo o Programa Estressadas aos poucos?


Samantha: Hummm, acredito que não. Eles aparecem muitas vezes por conta do meu chifre ou das tattoos. São bem poucos os que se interessam pelo assunto, mesmo sabendo que é de extrema importância. Os homens que me seguem são por indicações das namoradas ou por algum assunto de homem. Mas não acredito que irá haver um número significativo


LAG: Não seria interessante que homens buscassem entender esse universo e com isso melhorar a relação, geralmente tumultuada, entre homens e mulheres?


Samantha: Com certeza! Isso vem mudando, eles se interessam por algum tipo de assunto, mas o conteúdo é bem mais focado em questões femininas como autoestima, tabus sexuais. Homens, em sua maioria, conhecem o próprio corpo, o importante, independente do sexo é saber que as pessoas estão mais preocupadas em conhecer a si mesmas e propícias a conversarem mais sobre sexualidade. Sexo não pode ser tabu.


LAG: Outra das suas empreitadas, interessantíssima por sinal, é o "Fitas do Rock", nos fale sobre ele.


Samantha: A música sempre esteve presente em minha adolescência. Sempre fui rodeada de amigos que tinham banda e eu sempre estive envolvida no rolê. Quando entrei na faculdade, 2003, foi o começo do boom da cena independente do Rock aqui em SP. Muitas bandas estavam lançando EP's e eu decidi que queria ter um zine, aí nasceu a Garage Magazine, migrei de zine para revista digital e foi uma delícia. Entrevistei muitas bandas que eram sucesso, que enchiam as casas de shows e muitas assinaram com gravadoras naquela época. Foi uma delícia poder fazer parte disso. Em 2004 no meu segundo ano, eu decidi que queria ter uma produtora de shows e ser assessora de imprensa de bandas, nessa época, bandas próximas já estavam com contrato assinado com (o produtor) Rick Bonadio, e isso me fez acreditar no poder do underground. Porém, eu já estava com 19 anos e os boletos começaram a chegar (risos). Deixei a música de lado e me dediquei ao jornalismo.

Continuava indo em shows, apoiando a cena e descobrindo bandas novas. Aí chegou o rock colorido e deu uma broxada (mais uma!). Foi o começo do fim das bandas aqui do cenário, e eu me distanciei ainda mais, só ia em shows grandes e vi boa parte das bandas que eu gostava muito, acabarem. Ficamos adultos!

Segui por quase 15 anos fora do cenário da música, até que em 2020, por sinal, o ano mais louco do universo, fui mordida pelo bichinho da música de novo e o que estava adormecido, voltou. Mesmo longe, eu sempre estive presente e cheia de ideias, mas, de novo, a vida adulta me levava para outros lados. Pois bem, me casei de novo há dois anos com um músico (ironias da vida) e por ele não ser de São Paulo, eu sempre contava as histórias com empolgação, de como era na época, casas lotadas, festivais enormes, furadas, enfim.

Aí ele me falou "e cadê essa galera?" Na hora me deu um estalo, e já pensei que eu gostaria de ter um espaço para contar histórias das bandas, da cena, daquele momento, na sequência sem eu nem pensar muito eu falei "queria um lugar para contar altas fitas do Rock!"

E aí tínhamos um nome. Rafael é publicitário, na mesma hora sentou no computador e deu vida a minha ideia de uma fita K7 toda desconsolada. Foi meio louco e bem rápido. Aí comecei a lembrar de pessoas que eu gostaria de resgatar e ouvir a história delas. O Fitas do Rock é um espaço para ouvir histórias, tenho o público bem definido na minha cabeça e parece que está fluindo (risos).


LAG: e como tem sido a aceitação do Fitas do Rock? Existe uma ligação entre o público do Programa Estressadas?


Samantha: Não tem absolutamente nada a ver. Estressadas é sobre sexualidade e comportamento, o Fitas do Rock é sobre música. Outro público, outra ideia.

Eu tenho disso, de fazer mil coisas ao mesmo tempo (risos). A aceitação está incrível, mesmo que no começo, tem 15 dias de Fitas, já entrevistei uma galera bem legal.


LAG: Voltando ao Estressadas, podemos dizer que ao longo dos anos, você se tornou uma referência para mulheres que buscam e lutam diariamente pela liberdade e os direitos (e deveres) das mulheres em uma sociedade machista e patriarcal, como é a nossa. Como você lida com essa responsabilidade no seu dia a dia?


Samantha: Essa resposta carrega muita responsabilidade. Eu acredito que falar sobre tabus é a única forma de podermos mudar algo. Como falo de sexualidade, principalmente feminina, eu sempre busco me informar e estudar tudo antes de falar. Acho que é essa a minha maior responsabilidade.


LAG: E qual é a o tema mais recorrente nas perguntas quando você faz lives?


Samantha: Ah, sem sombra de dúvidas é sobre gozar. As mulheres têm muita dificuldade em ter consciência corporal, por isso, muitas delas não gozam. É um assunto recorrente e que eu não me canso de falar. É uma forma de poder fazer a diferença na vida dos outros.

Sempre falo que é preciso se tocar mais, conhecer cada pastinha do corpo para que você tenha conhecimento do que gosta. O gozar é problema de cada um, muitas mulheres acham que o homem precisa fazê-las gozar, quando na verdade, é ela quem precisa saber gozar, sozinha ou acompanhada.


LAG: E como você seleciona os temas que serão gravados no Programa Estressadas?


Samantha: A grande maioria dos temas são tirados das mensagens que eu recebo via direct no Instagram, ou tenho estalos sobre determinados assuntos que estão sendo falados. Na maioria das vezes assuntos sexuais, como posições e dicas, são percepções que eu tenho no dia a dia. Já os mais comportamentais são mais de mensagens que eu recebo.


LAG: E qual o critério usado por você na escolha de seus convidados para lives e programas gravados?


Samantha: Eu sempre chamo gente que tem história para contar. Como jornalista, me amarro em ouvir histórias. Pessoas que têm afinidade com assuntos também fazem diferença, pois deixa o bate papo mais dinâmico.


LAG: Muito obrigado pelo bate papo, agora o espaço é seu para suas considerações e deixar uma mensagem aos nossos leitores.


Samantha: Eu quem agradeço. É muito saber que ainda há espaço.para boas entrevistas. Queria convidar todo mundo para conhecer o Estressadas e o Fitas do Rock. E se você curtir um papo bem-humorado, ainda é possível ouvir nosso FodeCast no Deezer. Em um desses canais, tenho certeza de que você vai se identificar!


Serviço:

www.faceboom.com/estressadas

www.instagram.com/fitasdorock


Por: JP Carvalho - Em 29/07/2020

As opiniões expressas nesse site são de responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a opinião de seus editores.

​© 2020 por JP Carvalho - JPGraphix para Lampião a Gás - Todos os direitos reservados.

Endereço para correspondência: Rua Sebastião Gonçalves, 41 - Imirim - São Paulo - SP - CEP: 02466-123