• Lampião a Gás

Terror, um nicho literário de respeito!



Muito antes dos filmes de horror lotarem as salas de cinema por todo o mundo e trazerem de volta pelos contos do estilo, este gênero já era considerado muito popular e era celebrado desde o século 19. Muitos foram os que se aventuraram pelo gênero, mas a sorte sorriu para uma pequena parcela deles, que vieram a se tornar ícones do estilo.


Dos mais tradicionais aos contemporâneos, os nomes mais relevantes desse tipo de escrita atingiram uma significativa parcela do público e muitos deles só tiveram o reconhecimento financeiro de sua obra, muitos anos após a sua morte, o que nos leva a acreditar que mesmo sendo venerados nos dias atuais, não tiveram uma vida fácil.

Confira a seguir alguns dos autores considerados clássicos importantes de terror e que até os dias atuais, suas obras continuam a nos trazer tremores e medos.


Stephen King

Com mais de 45 livros lançados, Stephen King é, o primeiro nome que vem à cabeça quando se trata de histórias de Terror.


Quando Stephen tinha apenas dois anos, seu pai, Donald Edwin King abandonou a família. Sua mãe, Nellie Ruth Pillsbury, criou sozinha King e seu irmão mais velho adotivo David, muitas vezes passando por graves dificuldades financeiras. A família se mudou para a cidade natal de Ruth, Durham no Maine, mas também passaram vários períodos em outras cidades.


Ainda criança, testemunhou um acidente horrível, onde um de seus amigos ficou preso em uma ferrovia e foi atropelado por um comboio. Muitos falam que isso inspirou seu lado negro e suas criações perturbadoras, mas ele mesmo descarta essa ideia. King era um leitor fanático dos quadrinhos EC's horror comics, incluindo Tales From The Crypt, que estimulou seu amor pelo terror. Na escola, ele escrevia histórias baseadas nos filmes que assistia e os copiava com a ajuda de seu irmão David e os vendia aos amigos, mas seus professores desaprovaram e o forçaram a parar.


De 1966 a 1971, Stephen estudou Inglês na Universidade do Maine, onde ele escrevia uma coluna intitulada King's Garbage Truck para o jornal estudantil. Ele conheceu Tabitha Spruce lá e se casaram em 1971. O período que passou no campus e os trabalhos que ele aceitava para poder pagar pelos seus estudos inspiraram muitas de suas histórias. Ele e sua família moravam em um trailer, e ele escrevia histórias curtas, a maioria para revistas masculinas. Como é relatado na introdução de Carrie, se um de seus filhos ficasse resfriado, Tabitha brincava, "Rápido, Steve, pense em um monstro”.


Stephen logo começou a escrever romances. Uma de suas primeiras ideias foi de uma moça jovem com poderes psíquicos, mas ele descartou a ideia. Sua esposa resgatou os esboços do lixo e o encorajou a voltar a escrever sobre isso. Após terminar o romance, ele o intitulou Carrie. Ele recebeu 2,5 mil dólares adiantados, que não era muito para um romance, mesmo naquela época, mas os direitos autorais fizeram com que ele recebesse 200 mil dólares posteriormente.


King admitiu que nessa época ele desenvolveu uma grave dependência com álcool e que foi alcoólatra por mais de uma década. Ele também constatou que baseou o personagem Jack Torrance, do livro O Iluminado, nele mesmo. Sua família e amigos intervieram, jogando fora, na sua frente, todos os seus vícios. Stephen King cortou o álcool e qualquer tipo de droga por volta de 1980 e se mantem sóbrio desde então.


Em 1999, Stephen King sofreu um acidente gravíssimo. Foi atropelado durante uma de suas caminhadas nos arredores de sua casa de veraneio. Sofreu traumatismo craniano, fraturas múltiplas na perna direita e perfurações em um dos pulmões, sendo submetido a três cirurgias.


O autor de O Iluminado, Carrie, a Estranha, It - a Coisa e tantos outros sucessos já avisou que não pretende parar de escrever tão cedo. King que, só em 2017, lançou dois livros, também escreve contos, quadrinhos e roteiros de TV e cinema.


Mary Shelley

Mary Wollstonecraft Shelley nasceu em Londres, em 1879, e escreveu Frankenstein: o Prometheus Moderno com 17 anos. Reza a lenda que a obra nasceu de uma aposta entre Shelley, Lord Byron e Percy Shelley.


De férias na Suíça, eles foram desafiados por Byron a criar um conto de terror macabro. Mary Shelley foi autora, dramaturga, ensaísta, biógrafa e escritora de literatura de viagens, mais conhecida por seu romance gótico, Frankenstein: ou O Moderno Prometeu em 1818.


Mary Shelley era conhecida principalmente por seus esforços em publicar os trabalhos de Percy Shelley e pelo romance Frankenstein, que permanece sendo lido mundialmente e tem inspirado muitas peças de teatro e adaptações. Os estudos atuais renderam uma visão mais abrangente das realizações de Mary Shelley. Estudiosos demonstraram mais interesse em sua carreira literária, particularmente seus romances, que incluem os históricos Valperga e The Fortunes of Perkin Warbeck, o apocalíptico The Last Man, e seus últimos dois romances, Lodore e Falkner.


Estudos de seus últimos trabalhos conhecidos como o livro de viagens Rambles in Germany and Italy e os artigos biográficos de Dionysius Lardner's, Cabinet Cyclopaedia, serviram de base e visualização de que Mary Shelley permaneceu uma política radical por toda a vida. O trabalho de Mary Shelley frequentemente discute que essa cooperação e simpatia, particularmente praticada pelas mulheres na família, eram maneiras de reformar a sociedade civil. Esta visão foi um desafio direto ao caráter romântico individualista promovido por Percy Shelley e as teorias políticas iluministas articuladas por seu pai, William Godwin.


H. P. Lovecraft

Se Stephen King é o rei do terror deste século, Howard Phillips Lovecraft é o do século XX, segundo palavras do próprio King.


Howard Phillips Lovecraft, mais conhecido por H. P. Lovecraft, foi um escritor estadunidense que revolucionou o gênero de terror, atribuindo-lhe elementos fantásticos típicos dos gêneros de fantasia e ficção científica.


Lovecraft originou o ciclo de histórias que, posteriormente, foram agrupadas nos Mitos de Cthulhu e o grimório fictício conhecido como Necronomicon - atribuído em suas histórias a um estranho árabe de nome Abdul Al Hazred - através do qual os seres humanos em suas histórias entravam em contato com um panteão de entidades criadas pelo autor.


Lovecraft era assumidamente conservador e anglófilo, o que pode ser observado em seu poema An American To Mother England, publicado em janeiro de 1916. Seu estilo literário emprega arcaísmos, vocabulário e ortografia marcadamente britânicos, fato que contribui para aumentar a atmosfera de suas histórias, como no conto O Caso de Charles Dexter Ward, que contêm referências a personagens que viveram antes da independência das Treze Colónias, bem como a estabelecimentos comerciais existentes entre os séculos 17 e 18.


Lovecraft chamava seu princípio literário de "Cosmicismo" ou "Horror Cósmico", pelo qual a vida é incompreensível ao ser humano e o universo é infinitamente hostil aos seus interesses. Suas obras expressam uma profunda indiferença às crenças e atividades humanas, assim como uma atitude profundamente pessimista e cínica, muitas vezes desafiando os valores do iluminismo, do romantismo, do cristianismo e do humanismo. Os protagonistas de Lovecraft eram o oposto dos tradicionais por momentaneamente anteverem o horror da última realidade e do abismo.


Durante sua vida, Lovecraft teve um número relativamente pequeno de leitores. No entanto, postumamente, com o passar das décadas, sua reputação foi se elevando e, agora, é considerado um dos escritores de terror mais influentes do século 20.


Edgar Allan Poe

Considerado o pai do gênero, Edgar Allan Poe escreveu mais de 60 contos de terror gótico no início do século 19. As obras de Poe, como O Corvo e O Gato Preto, tiveram um impacto cultural tão profundo que se tornaram parte da mitologia do Dia das Bruxas atual. Poe era também crítico literário, poeta e cronista policial, e inspirou desde de Arthur Conan Doyle, autor da série sobre Sherlock Holmes, a Stephen King.


Edgar Allan Poe foi autor, poeta, editor e crítico literário, integrante do movimento romântico em seu país. Conhecido por suas histórias que envolvem o mistério e o macabro, Poe foi um dos primeiros escritores norte-americanos de contos e é, geralmente, considerado o inventor do gênero ficção policial, também recebendo crédito por sua contribuição ao emergente gênero de ficção científica. Ele foi o primeiro escritor americano conhecido por tentar ganhar a vida através da escrita por si só, resultando em uma vida e carreira financeiramente difíceis.


Ele nasceu como Edgar Poe, em Boston, em Massachusetts. Quando jovem, ficou órfão de mãe, pouco depois de seu pai abandonar a família. Poe foi acolhido por Francis Allan e o seu marido John Allan, mas nunca foi formalmente adotado. Ele frequentou a Universidade da Virgínia por um semestre, passando a maior parte do tempo entre bebidas e mulheres. Nesse período, teve uma séria discussão com seu pai adotivo e fugiu de casa para se alistar nas forças armadas, onde serviu durante dois anos antes de ser dispensado. Depois de falhar como cadete em West Point, deixou a sua família adotiva. Sua carreira começou humildemente com a publicação de uma coleção anônima de poemas, Tamerlane and Other Poems.


Poe mudou seu foco para a prosa e passou os próximos anos trabalhando para revistas e jornais, tornando-se conhecido por seu estilo próprio de crítica literária. Seu trabalho o obrigou a se mudar para diversas cidades. Em Baltimore, casou-se com Virginia Clemm, sua prima de 13 anos de idade. Em 1845, Poe publicou seu poema The Raven, o qual foi um sucesso instantâneo. Sua esposa morreu de tuberculose dois anos após a publicação. Ele começou a planejar a criação de seu próprio jornal, The Penn, posteriormente renomeado para The Stylus, em 7 de outubro de 1849, aos 40 anos, morreu antes que o jornal pudesse ser produzido. A causa de sua morte é desconhecida e foi, por diversas vezes, atribuída ao álcool, congestão cerebral, cólera, drogas, doenças cardiovasculares, raiva, suicídio, tuberculose, entre outros.


Poe e suas obras influenciaram a literatura nos Estados Unidos e ao redor do mundo, bem como em campos especializados, tais como a cosmologia e a criptografia. Poe e seu trabalho aparecem ao longo da cultura popular na literatura, música, filmes e televisão. Várias de suas casas são dedicadas como museus atualmente.


Bram Stoker

Abraham "Bram" Stoker, matemático de formação, foi um romancista, poeta e contista irlandês, mais conhecido atualmente por seu romance gótico Drácula, a principal obra no desenvolvimento do mito literário moderno do vampiro.


Sempre estudando em Dublin, escreveu seu primeiro ensaio aos 16 anos e, em 1875 concluiu seu mestrado. Conseguiu se tornar crítico de teatro, sem remuneração, no jornal Dublin Eventing Mail. Em 1878 Stoker casou-se com Florence Balcombe, cujo ex-pretendente era Oscar Wilde.


Com a mulher, mudou-se para Londres, onde passou a trabalhar na companhia teatral Irving Lyceum, assumindo várias funções e permanecendo nela por 27 anos. Enquanto esteve no Lyceum Theatre de Londres, começou a escrever romances e fez parte da equipe literária do jornal londrino Daily Telegraph, para o qual escreveu ficção e outros gêneros. Antes de escrever Drácula, Stoker passou vários anos pesquisando folclore europeu e as histórias mitológicas dos vampiros.


Depois de sofrer uma série de derrames cerebrais, Stoker faleceu em Londres em 1912. Alguns biógrafos atribuem a um processo desencadeado por uma sífilis terciária como causa de sua morte. Foi cremado e suas cinzas estão numa urna no Crematório de Golders Green, em Londres.


Por: JP Carvalho

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