• Lampião a Gás

Uma análise, nada imparcial, dos canais de streaming de TV



Os canais de streaming de TV se tornaram uma febre com o advento da Netflix aqui no Brasil, a partir daí deixamos de ser reféns das operadoras de TV aberta que, desgraçadamente, jogaram a qualidade da sua programação no ralo, com a infestação de programas de qualidade duvidosa, programas de auditório para lá de insignificantes e que tirando a cara de cada um que se coloca a frente das câmeras, são todos iguais, guardadas as poucos vírgulas aqui e ali.


Além disso, percebe-se que tudo é produzido e reproduzido exaustivamente pelo segmento é diretamente ligado ao comercial, logo, o vil papel moeda é quem cria os ditames do que é ou deixa de ser bom para você assistir. Se ainda, pensarmos na programação religiosa, passamos a ter certeza de que um gigantesco circo de horrores tomou conta de vez da TV aberta, mas ainda salvam-se alguns programas da TV Cultura e alguns originais da Rede Globo (diga para mim se você não ri até doer a barriga com um Cine Holliúdy, por exemplo), mas mesmo essas, tem por regra a chatice, quem de nós não fica entediado ao ver uma orquestra sinfônica executando a Sinfonia n.º 3 em ré menor, de Gustav Mahler composta em seis andamentos, divididos em duas partes de trinta e cinco minutos (ininterruptos) cada uma ou ver aquela gritaria desenfreada protagonizada pelo desagradável Luciano Huck nas (NR: malditas sejam) tardes de sábado?


Além de que a TV a cabo neste país (e eu não tenho a mínima referência para comparar com qualquer outra programação em outros países) beira a irritação proposital. Já que se convencionou colocar os ditos intervalos comerciais a cada, três, quatro ou cinco minutos de programação e que são primordialmente propaganda do próprio canal, o que chamamos de calhau e isso torna a experiência enfadonha e desinteressante. Já que em alguns casos os caras repetem o mesmo anúncio por três vezes no mesmo intervalo e isso muitas vezes nos leva a pensar: porque eu pago essa merda?


Ah, antes que vocês saiam correndo para pesquisar no Google a palavra calhau, que certamente vai te dizer que não tem nada a ver com o propósito do texto, calhau é o termo usado para representar um anúncio publicado gratuitamente ou com valor abaixo da tabela, mas muitas vezes institucional, em um jornal, revista, site ou programa de TV. Geralmente, este tipo de peça ocupa um espaço ocioso, que o veículo não conseguiu comercializar até sua data de fechamento da edição ou programação.


Sanada a questão, seguimos!


Para quem busca diversão em frente a telinha essas programações surtem exatamente o efeito contrário na maioria das pessoas, então, não seria de se espantar que uma imensidão de pessoas partiram para os canais de streaming, que tem centenas e centenas de títulos a disposição, sem intervalo, sem comerciais e que podem ser pausados, adiantados, desligados abruptamente, por falta de energia ou outra catástrofe moderna, e quando você volta, tá tudo lá, exatamente onde você parou e/ou foi interrompido ou pelo menos, é o que a gente espera que aconteça.


Mas ainda assim, esses canais de streaming, tem seus defeitos, seus melindres, “sua forma de ser”, (NR: acredite, ouvi isso de um atendente de um desses da matéria) e em nome do nosso divertimento ou do nosso relaxamento diário abrimos mão de pequenas coisas que a longo prazo se acumulam em nosso sistema límbico e o resultado nunca é bonito de se ver (risos).


Eu queria fazer um apanhado geral dos canais de streaming disponíveis por aqui, mas creia, a oferta deste tipo de serviço é muito maior do que pensamos. E sendo assim, decidi fazer somente em cima dos que, ao meu ver são mais populares e por conveniência, são os três que tenho a disposição na minha casa.


1° - Netflix

Certamente a plataforma de streaming mais conhecida do mundo, possui opção de teste grátis por trinta dias, conta com títulos nacionais e internacionais variados e para todos os gostos. Tem por hábito simplesmente retirar conteúdo do ar sem qualquer aviso. Além de cancelar séries originais, mesmo que essas sejam sucesso de público, algo como um Sílvio Santos mal-humorado do Streaming.


A navegação na plataforma e simples, tanto para celular, PC ou Mart TVs, e podem ser adicionados perfis de usuários que mantém e identificam a preferência de cada um e oferece conteúdo baseado no que você assiste.


Percebe-se que a política da empresa e seguida à risca em todas as suas distribuidoras e existe uma real preocupação com o todo que oferece e não costuma causar maiores surpresas ao usuário ao longo do tempo. Porém se tornou caro em relação as outras opções disponíveis no mercado e as vezes nos surpreende com mensagem de “problemas com o título a ser exibido”.


Certamente a melhor opção entre as três que figuram neste texto. Mas se você busca economia, nem o fato da interface ser fácil é dinâmica e a opção de teste por trinta dias, faz os valores entre R$21,90 e R$45,90 mensais, te animarem muito, já que existem opções mais baratas no mercado.


2° - Amazona Prime

Essa segunda plataforma se tornou um caso de amor e ódio aqui em casa. Mesmo com muito títulos disponíveis, para todos os gostos e que seja atualmente uma febre entre os apreciadores do streaming, muito pela qualidade dos seus originais e do conteúdo dinâmico, e por oferecer um período de trinta dias de teste gratuito, a navegação na plataforma é simples e objetiva e muito intuitiva, além disso também oferece opções relacionadas ao conteúdo que você assiste.


Não vejo aqui uma preocupação com a integridade da navegação em relação a alguns títulos, que dão a impressão de urgência em colocar o conteúdo no ar a qualquer custo.


Por exemplo, fui assistir pela enésima vez a série Sons of Anarchy, que há pouco ficou disponível na plataforma, e percebi que em muitos episódios não é possível pular a introdução ou o resumo, o que te obriga a assistir até a conclusão, porque dá mais trabalho adiantar as cenas do que simplesmente pular com um clique, em alguns inexiste o “este capítulo começara em 3 segundos” e ao final, a tela fica lá parada e você tem que sair, clicar no próximo e continuar sua maratona. Cheguei mesmo a ver a automação para o episódio seguinte com uma contagem de 162 segundos, o que é uma eternidade para nossa paciência e nos dias atuais. São pequenos deslizes, mas que tornam cansativa a experiência. Percebi que o mesmo acontece em outras series da plataforma, apesar de não ser exatamente uma prática como um todo.


Aqui é possível instalar o streaming em diversas opções, PC, celular, Smart TVs, mas ao contrário da Netflix essa plataforma não permite a criação de perfis (NR: mas no site deles diz que pode) e isso vai bagunçar tudo que você está vendo ao longo dos dias se, por exemplo alguém da sua família resolver assistir a mesma coisa que você. Um problemão que poderia ser sanado muito facilmente, mas que pelo visto ainda vai perdurar por bastante tempo, já que a impressão que dá é que ou eles ignoram ou simplesmente não recebem as reclamações dos usuários.


Tem custo baixo, algo em torno de R$ 10,00 mensais e oferece período de teste de trinta dias.


3 - Globoplay

Em uma alegoria rápida a plataforma de streaming Globoplay é aquela tia solteirona, religiosa e chata, que mora na sua casa desde muito antes de você nascer.


Mesmo que aqui estejam disponíveis filmes, séries, novelas, programas do canal e a grade completa do jornalismo e a interface ser muito simples, sua navegação é pesada, já que aqui são priorizadas os originais e conteúdos veiculados ao canal da TV de sinal aberta.


Pode ser que eles apostem mais na tradição do brasileiro de assistir o canal por osmose e com isso deixam muito a desejar na questão conforto e praticidade dos que buscam muito mais que a programação normal e/ou tradicional do canal.


Um exemplo: Coloquei uma das minhas séries preferidas, The Big Bang Theory, para rolar enquanto trabalhava aqui em casa. O tempo automático entre um episódio e outro é relativamente maior do que nas plataformas citadas anteriormente, mas nada que chegue a tirar o seu sono, o problema que encontrei foi que a plataforma simplesmente, pula temporadas inteiras de um episódio para o outro e muitas vezes simplesmente volta lá atrás (e isso quer dizer láááááá atrás mesmo) e você se vê obrigado a acelerar tudo para a frente, episódio por episódio, para continuar a assistir de onde parou.


Simplesmente não existe a opção para se ver a grade da série, nem suas temporadas e com isso ir direto ao ponto de interesse, e se a opção existe, é algo comparado a você descobrir a fórmula da Coca-Cola em uma conversa informal com o dono de um bar qualquer da cidade. Impossível!


Você clica e seleciona o que quer assistir e a plataforma vai passando por ele mesmo, sem maiores interações com o usuário. É muito recorrente você pausar a sua programação, sair do streaming e ele, novamente, voltar duas, três temporadas atrás e se você não prestar muita atenção é capaz de cair num looping infinito e nunca mais sair de lá.


Sobre os originais muitos seguem aquele padrão Globo de qualidade, com títulos para todos os gostos e formatos, tem variedade e títulos interessantes, mas antes de você sequer passar perto disso, vai navegar exaustivamente pelas opções da casa, o que enche o saco de quem não tem apreço pelo que lá é produzido.


A plataforma disponibiliza apenas sete dias de teste grátis e custa em torno de R$22,00 por mês e também comete o erro de não deixar que o usuário crie perfis familiares com a preferência de cada um.


E neste quesito, novamente, ponto para a Netflix.


Eu tentei entrar em algumas outras opções de Streaming de TV, como Apple TV+, Crunchyroll, Darkflix, HBO Go, Telecine Play mas confesso que não me senti animado após comparar alguns preços, benefícios e conteúdos oferecidos, mas é claro, não se esqueçam de que esta matéria foi feita em cima do que eu tenho e assisto na minha casa, e que sempre fica a critério de cada um escolher o que melhor convêm para você e sua família.


Mas eu fico quietinho, esperando as reações e comentário de vocês, ok?


Por: JP Carvalho - Em 07/08/2020

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