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Veronica Nobili, vida e arte em profusão


Existem artistas e artistas. Veronica Nobili consegue explorar a dramaturgia em toda sua essência esteja ela acompanhada ou solo, ela é desenvolta e inspirada e transpira o amor interpretação seja no drama da vida ou da arte. Confira o nosso bate papo com Veronica a seguir.


Lampião a Gás: Veronica tudo bem? Obrigado por dividir com a gente suas experiências. Fale um pouco do seu início e de sua carreira.

Veronica Nobili: Comecei fazendo balé e aos 15 anos precisei operar o joelho e enquanto não podia dançar eu fui fazer curso de teatro, isso lá no Rio de janeiro, onde morei por alguns períodos da vida. Aos 17/18 anos entrei para minha primeira formação de atriz no curso e preparação de atores na Faculdade da Cidade ainda no Rio de Janeiro. De volta a São Paulo entrei para a Escola de Arte Dramática EAD-ECA-USP me formando em 1996, a partir daí não parei mais!


LAG: Você explora muito bem todas as áreas da dramaturgia, tanto em comédia, como infantil e peças mais densas. Há alguma área que você goste mais de atuar?

Veronica: Costumo dizer que sou atriz e ponto final (risos). Gosto mesmo é de atuar, seja o que for, me joga no palco que estarei feliz!


LAG: Você fez parte do grupo musical “Alegórica” (composto por uma banda com som alternativo e que mescla teatro e vídeo em suas apresentações). Como foi participar deste projeto?

Veronica: Foi um marco na minha carreira, sempre gostei de performance, mas essa foi a primeira oportunidade de experimentar de fato. Posso dizer que foi um dos melhores trabalhos que fiz em toda carreira, arte profissional, de qualidade ímpar, num show performático que ajudei a criar do zero, viajar em duas turnês internacionais, indo para lugares como Rússia e Finlândia.

Mas, o mais incrível desse projeto, era que se tratava de um espetáculo cristão, porém quebrando todas as barreiras estéticas e padronizadas desse tipo de abordagem. Para mim como cristã, poder falar do amor de Deus da forma como eu acredito a arte, foi sensacional.


LAG: Seu trabalho solo também é impressionante. Esse trabalho exige mais do que simplesmente decorar texto?

Veronica: Sim, exige muito mais (risos), tenho trabalho solo em várias vertentes...

Tenho um solo de comédia Dell'arte com uma personagem que trago desde a Faculdade, a Dona Pasquella, que hoje, nesses tempos de pandemia, eu tenho gravado vídeos com mensagens de aniversário, gratidão, amizade, agradecimento que as pessoas encomendam. Tenho vários monólogos inspirados em personagens bíblicos, colocando o ponto de vista do próprio personagem para cena, trazendo uma reflexão diferenciada sobre o texto proposto. E no momento estou revisitando um solo sobre o universo feminino que fiz em 2013 e criando um novo solo para ser lançado provavelmente em forma de vídeo-teatro.


LAG: O teatro ganhou muita força aqui no Brasil no final dos anos 80. Parece que as pessoas preferem cinema. Mas os musicais, grandes produções e até as mais modestas atrações estão chamando a atenção das pessoas. Como você viu e vê essa evolução?

Veronica: Não consigo fazer muito essa separação do que as pessoas preferem, sinto que, quem consome arte, compra livro, vai ao teatro e vai ao cinema, frequenta museu...

Mas concordo que os musicais que chegaram, despertaram um interesse maior do público e isso é bom, no sentido de ampliar o alcance, apesar de adorar os musicais, tenho a forte tendência a consumir e preferir musicais originais brasileiros, com a cara do Brasil.

Nada contra aos musicais traduzidos, mas são traduzidos em tudo, cena, música, cenário, luz, figurino, tudo, e penso que o brasileiro é tão criativo em tudo, poderíamos ter vários musicais incríveis originais.


LAG: E novamente falando em pandemia. Muitas peças teatrais e eventos no geral, foram canceladas. Qual tem sido o alcance frente a isso uma vez que as lives tem se tornado uma ótima opção?

Veronica: Logo no começo foi bem complicado, pois houveram os cancelamentos e ficamos todos meio sem saber o que seria da classe teatral, dos shows enfim de toda uma programação do entretenimento mundial! Aí começaram a disponibilizar peças, shows, museus, filmes on-line gratuitamente, mas de uma maneira muito distante. Assistir algo gravado que aconteceu ao vivo.

Em seguida começaram as lives e foram trazendo a possibilidade de troca artística, e isso abriu um novo leque de possibilidades e por fim estamos nesse momento de descoberta criativa usando a tecnologia para criar e oferecer conteúdo on-line, ao vivo usando recursos caseiros que estão ao nosso dispor, plataformas de streaming para apresentações, enfim, vamos continuar um bom tempo no virtual.

Então, que venham essas vídeo-peças!

Eu mesma estava preparando o novo solo para o presencial, havia começado o processo em fevereiro, parei por dois meses reavaliando tudo e agora parto para o virtual, com várias adaptações, ou era isso, ou abortava a missão! Agora em setembro também estou levando meu curso de comunicação expressiva para o virtual, aproveitando que muitas pessoas foram obrigadas a ter que se gravar, dar conteúdo on-line, vídeo conferências e precisam de orientação nesse sentido, também é outro nicho a ser explorado por muitos multi artistas, como eu.


LAG: Você também faz dublagem, fale-nos sobre os trabalhos que já realizou?

Veronica: Sim, eu fiz formação em dublagem e venho trabalhando aos poucos com isso. Por hora tenho feito trabalhos pequenos, de personagens secundários. Com a pandemia, os dubladores acabaram tendo que montar seu home-estúdio e para mim não valia a pena esse investimento alto em equipamentos pois não tenho ainda escalas suficientes que o justificasse, então estou em pausa com a dublagem, mas as locuções continuam e essa eu gravo em casa mesmo.


LAG: Como você vê o mundo das artes no Brasil?

Veronica: Bom, em geral a arte não é valorizada como deveria ou como poderia, então o artista em quase sua totalidade tem que fazer um esforço descomunal para seguir de pé, e infelizmente, a maioria não consegue viver apenas dessa arte, precisa dividir seu tempo com algum outro tipo de trabalho para sobreviver, isso é realidade no Brasil.

Mesmo tendo algum incentivo, estamos muito longe de uma política pública de cultura que atenda a demanda artística do Brasil.


LAG: Que dica você daria para quem se aventura no teatro hoje e fique à vontade para deixar um recado aos nossos leitores.

Veronica: Minha dica é para todos. Acho que todo mundo devia pelo menos uma vez, ter uma experiência teatral, nem que seja uma aula! E para quem pensa em ser ator, estude, se dedique, leia, ensaie e assista muito teatro, dança, circo, tenha referências de vários estilos, faça cursos, oficinas, workshops de vários estilos e com certeza, se essa for sua vibe, será natural buscar tudo isso mais e mais.


Serviço:

www.youtube.com/c/VeronicaNobili

www.instagram.com/veronobili

www.facebook.com/veronica.nobili.9


Por: Claudio Tiberius

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